Registro de Marcas

A História do Ziko, que perdeu a marca e um monte de clientes

Uma coisa é fato: nós adoramos contar histórias. E por isso estamos contando a história real do Seu Ziko, o cara que criou um negócio maravilhoso, não ouviu os outros, ignorou totalmente o registro de marca e perdeu a marca para seu sobrinho Toninho. Leia e veja a moral da história.

Prof. Altair Rosa Filho

Escrito por Prof. Altair Rosa Filho

Tempo de leitura: 2 min

A História do Ziko, que perdeu a marca e um monte de clientes

A História do Empresário que Perdeu a Marca para o Próprio Sobrinho

Em toda aula de Direito das Marcas, quando o assunto chega à importância do registro, alguém invariavelmente pergunta: "É igual à história do Cachorro da Anchieta?" A resposta é sempre sim — e a história se repete com variações em escritórios de propriedade intelectual em todo o Brasil. Aqui contamos uma versão com nosso personagem Seu Ziko, baseada em situações reais, para que você entenda na prática o que pode acontecer quando uma marca famosa não é registrada.

O começo: o cachorro-quente mais famoso da praça

Era uma carrocinha de cachorro-quente posicionada em frente a uma famosa praça da cidade, conhecida como Praça Anchieta. O produto, feito com receita de molho especial da família, rapidamente ganhou fama e o apelido de Cachorro da Anchieta. À noite, a fila corria pelo quarteirão. Toda a cidade conhecia. Seu Ziko, o dono, passou a ganhar muito dinheiro, triplicou a equipe e viu sua marca crescer organicamente — sem nunca registrá-la.

A chegada do sobrinho empreendedor

Com o crescimento do negócio, Seu Ziko chamou o sobrinho Toninho para ajudar na operação. Toninho, com espírito empreendedor aguçado, percebeu o potencial da marca e propôs o registro mais de uma vez — inclusive sugerindo a expansão do modelo para franquias. Seu Ziko recusou todas as vezes, achando o registro desnecessário. Toninho então tomou uma decisão: registrou a marca Cachorro da Anchieta em seu próprio nome.

O registro, a notificação e a batalha perdida

Assim que obteve o registro, Toninho notificou Seu Ziko para que cessasse o uso da marca. A batalha judicial que se seguiu foi longa — e Seu Ziko a perdeu. Os julgadores concluíram que ele tinha pleno conhecimento da necessidade do registro, que ignorou as propostas e que, portanto, a marca deveria permanecer com o titular que a registrou: Toninho. Seu Ziko não tinha nenhum documento jurídico que comprovasse titularidade sobre o sinal.

O final da história

Toninho transformou a marca Cachorro da Anchieta em uma rede de franquias presente em shoppings de todo o Brasil. Milhares de consumidores acreditam que as lojas da franquia são a mesma carrocinha da pracinha. A carrocinha original de Seu Ziko passou a se chamar Cachorro da A — e nunca mais conseguiu o mesmo reconhecimento. A moral é direta: uma marca não registrada pode ser tomada a qualquer momento — por um concorrente, um sócio, um funcionário ou até um familiar. Registre a sua antes que outra pessoa o faça.

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