Registro de Marcas

Manual de como criar uma marca ruim (1ª parte)

Com o "Como criar uma marca ruim" nós criamos quase que um manual, de forma satírica, sobre pontos que empresários erram feio ao criarem suas marcas e precisam ter sua atenção chamada para isso para não investir tempo, dinheiro e esforço em uma marca que não presta pra nada.

Prof. Altair Rosa Filho

Escrito por Prof. Altair Rosa Filho

Tempo de leitura: 2 min

Manual de como criar uma marca ruim (1ª parte)

Manual de Como Criar uma Marca Ruim — 1ª Parte

Este texto é uma sátira. Tudo que você vai ler aqui representa os erros mais comuns cometidos por empresários ao escolherem suas marcas — erros que a Regify vê e ajuda a corrigir diariamente. Portanto, não siga estas dicas. Elas existem para mostrar, com humor, o caminho que você deve evitar.

Criar uma marca boa é mais simples do que parece: basta que ela seja fantasiosa, distintiva e não conflite com anterioridades já registradas no INPI. Esse caminho percorre 70% do trajeto para um registro sólido. Criar uma marca ruim, por outro lado, exige esforço: o esforço de ser o mais óbvio possível.

Use na marca o próprio nome do produto

Se você vende calçados, chame a marca de "Pisante". Se criou um produto que mistura sapato com tênis, "Sapatênis" seria a escolha perfeita. Quer ser mais criativo? Troque letras que têm o mesmo fonema: transforme "casaco" em "Ksaco" — afinal, com K fica diferente, não fica? Ou dobre uma consoante: "Sapatto" é claramente outra coisa que "Sapato", porque tem dois t's. Toda vez que o nome da marca é literalmente o nome do produto, você garantiu uma das piores marcas possíveis — e uma que o INPI não registrará com exclusividade.

Diga no nome que seu produto é bom

Nada como usar a própria marca para anunciar a qualidade do que você vende. "Sabor Delicioso" para um restaurante. "Sofá Confortável" para uma fábrica de móveis. "Bolo Fofinho" para uma confeitaria. Afinal, nenhum concorrente quer fazer comida gostosa ou sofás confortáveis — só você. O resultado prático: uma marca genérica, sem identidade, impossível de registrar com exclusividade e incapaz de gerar qualquer vínculo emocional com o consumidor.

Use expressões comuns ou necessárias do seu setor

Quer abrir um banco? Use "Bank" ou "Cash" no nome. Fábrica de luminárias? "Lâmpada" parece uma escolha sensata. Academia de ginástica? Não pode faltar "Fit" — assim como em centenas de outras academias. Restaurante saudável? "Fit" também. O problema é que expressões comuns ou necessárias ao setor não podem ser apropriadas por um único titular. O INPI não concede exclusividade sobre termos que todo o mercado precisa usar. Você terá uma marca frágil, que não afasta concorrentes e que pode ser disputada por qualquer empresa do segmento.

Coloque no logotipo a imagem do próprio produto

Para finalizar com maestria a criação de uma marca ruim, acrescente ao conjunto marcário a imagem do produto que você vende. Doceria com nome e logotipo de cupcake. Peixaria com peixe no símbolo. Pizzaria com fatia de pizza na logo. O resultado é uma marca que, mesmo que seja registrada por falta de atenção do examinador, não oferece proteção jurídica real — pois o elemento figurativo é tão descritivo quanto o nome. Não contrate uma empresa que protocolaria esse tipo de marca. Procure profissionais que analisem a viabilidade real do registro e orientem a criação de uma identidade marcária que funcione no mercado e seja protegível juridicamente.

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