Recentemente a terceira turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tratou da diferença entre razão social e marca ao julgar recurso envolvendo duas empresas. Na decisão o STJ permitiu que uma das empresas usasse a expressão Bristol na sua razão social e na mesma decisão impediu essa mesma empresa d

Escrito por Prof. Altair Rosa Filho
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Existe uma confusão recorrente entre empresários de todos os portes: a crença de que ter o nome da empresa na razão social equivale a ter a marca protegida. Uma decisão recente da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deixou isso muito claro — e as consequências para quem confundiu os dois conceitos foram severas.
O caso Bristol
O STJ julgou recurso envolvendo duas empresas que usavam o termo "Bristol". Em sua decisão, o Ministro Paulo de Tarso Sanseverino permitiu que a empresa Organizações Bristol Ltda. mantivesse o nome em sua razão social — mas a proibiu de usar "Bristol" como marca para serviços de hotelaria. Além disso, a empresa foi condenada a indenizar a rede hoteleira detentora das marcas Bristol, que já tinha o registro no segmento. Ou seja: a razão social foi mantida, mas a atuação comercial foi drasticamente limitada e gerou prejuízo financeiro.
Qual é a função jurídica da razão social?
A razão social é o nome da pessoa jurídica — identifica quem é a empresa, não o que ela vende. Ela aparece em contratos, documentos fiscais, certidões. Sua função é identificar a pessoa jurídica no exercício de suas atividades econômicas, da mesma forma que o nome identifica uma pessoa física. Não tem a finalidade de distinguir produtos ou serviços no mercado.
Qual é a função jurídica da marca?
A marca distingue produtos e serviços, permitindo que o consumidor identifique a origem do que está comprando e não confunda fornecedores distintos. Enquanto a razão social identifica quem é a empresa, a marca identifica o que ela oferece. São finalidades jurídicas completamente diferentes — e essa diferença tem consequências práticas importantes.
Por que os dois podem coexistir?
Justamente porque têm funções distintas, razão social e marca podem coexistir mesmo com o mesmo nome. No caso Bristol, a empresa pôde continuar se identificando pela razão social em contratos e documentos — mas foi impedida de usar o nome para oferecer os serviços do seu ramo de atuação, porque não tinha o registro de marca naquela classe.
A lição prática
Ter o nome na razão social não protege a marca. Não é o CNPJ, não é o nome fantasia, não é o tempo de uso no mercado que gera o direito de propriedade sobre a marca no Brasil — é o registro no INPI. Tudo o que poderia ter sido evitado nesse caso teria sido resolvido com um exame de viabilidade e o registro da marca antes de começar a operar.
Meta Título: Diferença entre razão social e marca registrada: lição do STJ | Regify
Meta Descrição: Razão social não é marca registrada. Entenda a diferença com base em decisão real do STJ e por que confundir os dois conceitos pode custar caro ao seu negócio.
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