Registro de Marcas

A história da marca Nubank: do luxo do Olimpo à simplicidade da nudez

Como uma consulta ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) alterou o nome da marca que revolucionaria o mercado financeiro do Brasil.

Prof. Altair Rosa Filho

Escrito por Prof. Altair Rosa Filho

Tempo de leitura: 2 min

A história da marca Nubank: do luxo do Olimpo à simplicidade da nudez

O Nubank é hoje uma das fintechs mais valiosas do mundo. Mas antes de se tornar o roxo onipresente nos cartões de milhões de brasileiros, a empresa passou por uma escolha de marca que exemplifica, de forma didática, como o processo de registro no INPI pode — e deve — influenciar decisões estratégicas de branding.

O nome original: Eos

Quando o Nubank foi fundado, em 2013, o nome escolhido pelos sócios era "Eos" — referência à deusa grega da aurora. A ideia fazia sentido simbolicamente: uma fintech que traria um novo amanhecer para o sistema financeiro brasileiro, dominado por grandes bancos.

O problema surgiu na etapa de viabilidade de marca, antes mesmo do depósito do pedido no INPI. A análise revelou que nomes de deuses, santos e figuras mitológicas enfrentam dois obstáculos sérios no processo de registro. Primeiro, são termos de uso comum, dificilmente associáveis a um único titular — o que compromete o caráter distintivo exigido pela LPI. Segundo, é grande a chance de já existirem registros anteriores de terceiros usando o mesmo nome ou termos semelhantes, o que bloquearia o pedido por anterioridade.

A virada: de Eos para Nubank

Diante das restrições identificadas, os fundadores precisaram repensar o nome. A cofundadora Cristina Junqueira sintetizou a filosofia que guiou a nova escolha: "a marca deve ser a tangibilização da essência da empresa." A proposta era criar um nome que comunicasse, por si só, os valores centrais do negócio — transparência, simplicidade, ausência de burocracia.

Surgiu então "Nubank": a junção de "nu" (desnudo, sem camadas, transparente) com "bank" (banco). O nome comunica de forma direta a proposta de valor: um banco sem as complexidades e opacidades do sistema tradicional. Simples, memorável e registrável.

O que esse caso ensina sobre registro de marca

A história do Nubank ilustra um princípio fundamental que muitos empreendedores ignoram: a viabilidade de registro deve ser verificada antes de qualquer investimento em branding, comunicação ou identidade visual. Trocar o nome de uma empresa depois que ele já foi associado ao produto no mercado é custoso e traumático. Fazer isso antes do lançamento, como fizeram os fundadores do Nubank, é estratégia inteligente.

Além disso, o caso mostra que as restrições impostas pelo INPI não são apenas burocracia — elas existem para garantir que marcas sejam genuinamente distintivas. Um nome que remete a uma divindade mitológica pode ser poético, mas dificilmente será exclusivo. Um nome inventado, com significado próprio e registrável, é um ativo muito mais sólido.

Meta Título: A história da marca Nubank: por que o nome original foi descartado

Meta Descrição: O Nubank quase se chamou Eos. Entenda por que a consulta ao INPI levou à criação de um nome mais forte e registrável — e o que isso ensina sobre registro de marca.

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